quarta-feira, 7 de julho de 2010

Pudor de Menina

Dona do seu corpo e senhora do seu prazer.
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À Nadja.
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Eu deveria ter me informado melhor sobre o endereço que procurava. Achei que, com o nome da rua e o número da casa, tudo seria fácil. Estávamos no bairro da Encruzilhada. Eu, de gravata, "curtindo" o sol recifense das quatorze horas, me transformara no último recurso amigável junto à empresa que demorava a reparar as placas  da nossa central telefônica. 

O motorista parou o carro próximo ao mercado e eu saí à procura de um barraqueiro, indicado por alguns taxistas como conhecedor de todas as ruas do bairro. Mas esta ele não conhecia. Depois de alguns instantes puxando pela memória, resolveu pedir ajuda a alguns catálogos telefônicos... E nada. A única rua com o mesmo nome ficava no bairro da Madalena.

Decidi então telefonar para o trabalho e pedir um ponto de referência. O celular descarregado me forçou a comprar um cartão telefônico e procurar um orelhão.

Os dois primeiros que encontrei estavm danificados. O terceiro também, mas, ao me dirigir a ele, uma garota de aproximadamente 14 anos, vestindo um curto short branco de manequim um pouco maior que o seu, e camisa masculina preta me pediu 50 centavos. Como não costumo dar esmolas a crianças, sequer lhe respondi. Estava sentada no chão, encostada na porta de uma loja abandonada, vizinha a uma barraca de ervas e flores.

Enfim um orelhão funcionando. Encontrei-o do outro lada da rua onde estava a garota.

Recebi as informações que precisava e voltei  em direção ao carro. Ao passar novamente pela menina, que agora estava acompanhada de um garoto também de rua, com uns 16 anos, ouvi: 
- Me dá cinquenta!.

Talvez pela felicidade de não ter que ficar mais tempo exposto a todo aquele calor, resolvi lhe dar a nota de dois reais que tinha no bolso.

Estava a poucos passos dela e voltei sacando o dinheiro. Uma expressão de alegria tomou conta do seu lindo rosto e, ao se levantar, precisou abrir ainda mais as pernas, permitindo que em apenas um segundo o olhar atento  e ancestral do macho se fixasse entre suas coxas, a tempo de registrar parte dos seus encantos de mulher, desprotegidos de qualquer lingerie.

Percebendo a ação do meu olhar, impulsivamente atrevido, resguardou desse afoitamento com as duas mãos, seus dotes de fêmea.

Graciosamente de pé, aproximou-se com um sorriso que me dizia não estar chateada com a invasão, embora a lembrança do recato das suas mãos de menina tenha me deixado meio sem jeito. 

“Vai comprar uma “pedra”, não é!” - Perguntei enquanto lhe entregava o dinheiro.

E ela, sacudindo a imensa cabeleira negra, respondeu, entre assustada e magoada: 
- Não, vou não!

O meu olhar agora era de carinho, apreensão com seu futuro, expectativa, e ela percebendo, confirmou meio dengosa: 
- Vou não, juro!

E voltou para o lado do seu companheiro.
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