domingo, 4 de dezembro de 2005

Silêncio !!!... Papai Noel Vem Aí !!!...

Vista do Farândola, a partir da mesa 23.
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Conheci Terêsa Otranto no Farândola. Estava sentada à mesa 23, com Geraldo.
A localização dessa mesa é estratégica: fica logo à entrada, no terraço. De lá, tem-se uma visão completa do barzinho. O que temos de melhor pode ser observado de lá. De lá, também, ficam mais evidentes nossas carências.
Fui algumas vezes à mesa de Terêsa. Em umas fui apenas atencioso, em outras, arrisquei algumas comedidas brincadeiras, como sempre faço com os clientes mais simpáticos.
Tenho uma boa memória fotográfica, tinha certeza que nunca os tinha visto antes.
Muito comunicativa, Terêsa conseguiu, em poucos minutos de conversa entrecortada por idas e vindas minhas à mesa, saber da nossa história, do nosso engajamento pela liberdade e igualdade de tudo que é vivo. Percebeu essa grandeza e também nossa pobreza material: os cardápios em péssimo estado, o suporte com copos descartáveis quando o bar está cheio, a falta de cinzeiros, o estado das mesas que ficam na calçada, etc... etc... Mas percebeu também que tudo isso contrastava com a nossa felicidade por termos o Farândola, com a alegria que levamos a cada mesa que visitamos, com a queima constante de incensos, com as cores e os brilhos da simples decoração do barzinho, com a boa música executada por “Pau Pereira”, com o sabor “tutti frutti” do nosso “esperto” Fuzuê da Sé, com o poder afrodisíaco da nossa Lambreta... etc... etc.
Terêsa ouviu tudo, percebeu tudo e, quando falou, arrasou:
- Nós vamos criar um site pro seu barzinho.
Nós, era a Faculdade Marista do Recife.
Olhei em seus olhos por um instante, procurando o “vendedor de ilusões” com quem já cruzara ali mesmo, no Farândola, por tantas vezes. Em cada uma delas, travestido de alguma fada madrinha, mas, sempre com os mesmos olhos, já conhecidos.
Não... Não eram os olhos dele. No olhar de Terêsa só havia generosidade e convicção.
Bastou uma semana... Na sexta-feira seguinte o Farândola foi invadido por uma outra farândola, essa de jovens excitados, observadores, questionadores, e seus modernos equipamentos fotográficos.
Terêsa também estava lá. Portava-se como a mãe que leva todos os filhos ao parque: não perdia ninguém de vista. Foi requisitada para fotos ao meu lado, ocasião em que aproveitava para elogiar seus “filhos”:
- Este fotografa divinamente... Esta é ótima com textos...
Num piscar de olhos, fui içado à condição de astro... de revolucionário... de alquimista. Uns me chamavam para fotos, e eu, todo sorridente, fazia pose e me submetia aos flashs; outros, queriam ouvir as histórias do engajamento político do Farândola, e eu, com jeito de revolucionário, arfava o peito e era todo empolgação, narrando os dias que se seguiram à invasão do Iraque; e, ainda tinha os que, com ar intrigado, queriam detalhes das misturas de cachaça com as inúmeras ervas que o barzinho oferece, quando eu, colocando os óculos, era todo mistério, vendo o grupo de ouvintes aumentar à medida em que começava a revelar os segredos das poções mais afrodisíacas.
Nas semanas que se seguiram, não tive mais sossego. Às vezes vinham sozinhos, acanhadamente, e se apresentavam: “Rodolfo, eu sou aluno de Terêsa”, e logo recebiam atenção especial; às vezes, em grupo, para reuniões de estudo no próprio objeto de estudo, e, a apresentação também era a mesma: “Nós somos alunos de Terêsa”.
Descobriram meu número de telefone e meu e-mail, e, até nos meus dias de folga: domingo e segunda, também chegavam a mim com suas minuciosas exigências.
Como não poderia deixar de ser, envolvi-me completamente pelo entusiasmo e expectativa deles.
Enfim chegou o dia da apresentação dos trabalhos.
A convite da Faculdade Marista Recife e de Terêsa, participei, apenas como observador interessado, da mesa julgadora, entre os feras Fábio e Zuleica, além da própria Terêsa, e do Diretor Acadêmico Lucian Bejan.
Todos souberam me deixar bem à vontade. Senti saudades do meu tempo de aluno de Psicologia em faculdades de João Pessoa (IPÊ), Belo Horizonte (Fumec) e Recife (Fafire).
Todos os assentos estavam ocupados. Nas janelas, por trás dos vidros, alunos de outras turmas apinhavam-se para ver o desfecho do embate que já era do conhecimento de todas as salas.
A turma fora dividida em oito grupos, e todos tiveram o tempo que desejaram para a apresentação dos seus trabalhos.
Um fotógrafo e uma equipe de filmagem da própria Universidade chegaram para registrar o acontecimento, o que motivou a corrida de Viviane Waleska até Terêsa, para que seu batom fosse pacientemente retocado por ela, aumentando assim, ainda mais, sua semelhança com a Global Juliana Paes.
Eu estava realmente encantado e envaidecido.
Os trabalhos revelavam empenho, bom gosto, criatividade.
Em um, balançava lentamente um colorido lampião, enquanto a cabeleira do “Caboclo de Lança” acompanhava seu movimento; em outro, era meu irmão Luiz Carlos Vasconcellos, chamado de “Cabra Bom”, quem enchia a tela em cenas de alguns dos seus filmes; os pratos, caprichosamente fotografados, davam água na boca. Cheguei a conclusão, com o trabalho apresentado por Katson, Abelardo, Leonardo Ítalo, Mônica, Lúcio e Ivo, que o Farândola é realmente muito fotogênico.
Ao final de cada apresentação, todos aplaudiam e gritavam: “É o vencedor!” Num clima de companheirismo e solidariedade que realçava com aquele gesto de generosidade de Terêsa, dos também professores Fábio Campos e Zuleica, e da própria Universidade, na pessoa de Lucian Bejan.
Aqui e acolá, em situações específicas, quando alguém titubeava na apresentação do site, ouvia-se o grito de alerta “preá... preá...” Todos riam, mas, quem vacilara ficava atento. O grito fora endereçado a ele e revestia-se de simbolismo. Conta-se, a boca miúda que, no início do curso, um professor referindo-se a alguma sigla “P.A.” fora interpelado por um aluno daquela turma, julgando tratar-se do caviídeo, retrucou: “O quê, professor... Preá? Pronto. Bastou isso. Transformou-se no grito de guerra da turma para chamar um colega à responsabilidade, num clima descontraído de coleguismo”.
Everaldo Bruno, imenso no tamanho e na simpatia, provou desse grito quando, ao constatar que seu equipamento não conseguia exibir o site criado por seu grupo, saiu da sala e voltou sob aplausos com um novo equipamento e, nada... também não funcionou. Nisso, alguém que estava na torcida da janela, abriu a porta da sala e gritou: "o cabo do monitor está desconectado!"... Pronto. Foi o suficiente para se ouvir o alerta: “preá... preá... preá...” vindo de diversas partes da sala, provocando risos, inclusive do próprio Bruno, que correu para conectar o cabo.
Algumas equipes fizeram questão de divulgar seus nomes, como: “Farofa – Net” e “Papangu Produtions”.
Concluída a apresentação do oitavo site, a mesa julgadora retirou-se para a diretoria onde, após ouvirmos as explicações técnicas do professor Fábio, decidimos: dar Menção Honrosa a todos os alunos, escolher a melhor parte de cada site e montá-las sobre a estrutura do trabalho apresentado por Júlio, Emanoel, Anilécio, Reinaldo e Rosiel, que foram ovacionados por toda a turma ao saber do resultado.
Esses nomes ficarão por algum tempo na minha memória, bem como os de Daniel, Maria Manuela, Bárbara, Eulália, João Paulo, Suelen, Adriana, Catarina, Felipe, Marlon, Bruno, Silvio, Eddy, Erick, Ingo, Bruno Santos, Cleane, Remo, Hildo, Tânia e Janine...
Já suas fisionomias, ficarão por mais tempo, até o dia em que, chegando ao Farândola, terão que se apresentar: “Rodolfo, eu era aluno de Terêsa!”
E o nosso site é:
www.barfarandola.com

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7 comentários:

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  2. correiobloggxorkut11:07 AM

    Pense que criei esse Blog com um único objetivo, poder comentar os brilhantes textos de meus amigos, em especial de meu amigo Rodolfo Vasconcelos... O cidadão tem um dom especial em descrever suas histórias, todas verídicas, que o mesmo teve o prazer de viver, e hoje sinto que deve ter grande alegria em retratá-la para todos os seus amigos... Vou ver se tomo vergonha na cara e escrevo alguma coisa substancial aqui nesse meu espaço.
    POSTED BY IGUINHO AT 12:45 PM 0 COMMENTS

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  3. Ana Carmen:
    Li o texto,ficou muito bom!A foto do bar está maravilhosa...Parabéns

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  4. ღBelleღeღDanღ:
    tio o texto ficou lindo...adorei...caramba perfeito viu...xero tio,xaudades de tu viu!bom todos estamos com xaudades de vc....xau 14:45
    05/12/2005

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  5. Themis:
    Rodolfo, acabei de ver o blog. Que lindo! tentei deixar um comentaro la, mas eles pedem que se registrem, então vou deixar por aqui e depois eu "cuido em me registrar! heheheh bjos...

    Rodolfo, esta mensagem merecia um comentário no minímo mais bem trabalhado, mas fiquei tão emocionada que nem sei o que dizer.

    Que maneira linda de contar uma história não menos linda! Acho que fui tocada pelo clima de amizade que vc descreveu nesta faculdade...deu saudade da minha...muita! ô tempo bão...sem preocupação!!!

    Tô doida pra ver o site!!
    muitos beijos,

    Themis

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  6. Sóstenes:
    Amigo véio. Sempre percebi como você é bom com as palavras, como sabe usá-las como num jogo de sedução, e não me surpreendi com o texto sobre o site do Farândola. Parabéns, por seu interminável preparo físico, acho que foi o sargento que lhe malhou assim, e por seu lado emocional, que aguenta como ninguém, as porradas da vida noturna. Depois das subidas e descidas nas ladeiras do mundo, são poucas as pessoas que bancam esse jogo. Ah, fui ávido pra ler sobre nossa rainha Tâmara e nada encontrei. Tá devendo essa. Beijão pra tu.

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  7. Rodolfo, muito legal o pps do Farândola. Não sabia que o barzinho era tão fotogênico. Gostei do texto também. É de alguém que realmente conhece o espírito do bar. Legal saber que o espírito dele se deixa capturar assim, para os frequentadores mais sensíveis. Um beijo grande. Ah... aguardo o site pronto (me avise) e a boa nova! 11:52
    09/12/2005


    Ceci, Dani, Joao:

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